quarta-feira, 10 de outubro de 2012


Excesso de atividades na escola: Infância cada dia mais prejudicada 




Em nome de preparar os alunos para os desafios do futuro, as escolas estão apertando cada dia mais os alunos.
" No ano que vem os conteúdos e as exigências serão maiores". Esta frase se tornou a grande justificativa dos educadores para começar, cada dia mais cedo a exigir um milhão de coisas das crianças, compromentendo a linda  fase da vida, que é a infãncia.
Quando acreditávamos que a educação se dava por meio da memorização, da fixação e do adestramento, muito bem representado pelo condicionamento clássico operante, de Pavlov, realmente se justificava treinar os alunos, condicioná-los, para que alcançassem bons resultados futuros.
Porém hoje, com os estudos psicogenéticos, com a neurociência, com as contribuições de Piaget, que nos prova que a criança aprende  por meio de construções internas e que tem fases de desenvolvimento nas quais podemos constatar algumas características distintas umas das outras, percebemos que não é produtivo forçar as crianças antecipadamente a alguns tipos de comportamento ou execução de atividades. Isso porque, no ano que vem, quando ela estiver mais madura, avançando naturalmente em seu desenvolvimento, ela executará as tarefas sem peso, sem fazer tanta força, sem correr atrás de um "prejuízo" que ela , na verdade, não tem.
Há outro fator muito importante a ser considerado, que é a importância do brincar para a representação do mundo adulto por parte da criança. Vigotsky nos relata muito bem que a criança fantasia porque tenta desesperadamente entender o mundo. Quando enchemos as crianças de atividades, para prepará-las para o ano seguinte, tiramos delas a oportunidade do brincar, ação FUNDAMENTAL para o desenvolvimento do indivíduo na infãncia.
No ano que vem, as crianças estarão mais velhas, mais maduras e aptas para enfrentar os desafios inerentes àquela idade.
Não vamos apressar o rio. Afinal, ele corre sozinho...
Priscila Pereira Boy: Os desafios da educação





Diferenças: como lidar com elas em sala de aula? 
Tatiana Serra
 

Que as diferenças existem todos nós sabemos, assim como o fato de que elas ajudam a nos definir dentro de um grupo. Mas fazer da diferença motivo para discriminar (no pior sentido da palavra) ou fazer dela sinônimo de desigualdade, talvez seja um dos maiores erros da humanidade. E não adianta tentar justificar dizendo que até no dicionário as palavras diferente e desigual são sinônimas, porque a questão está no que o uso da palavra carrega: atitudes repletas de preconceito e exclusão são alguns dos exemplos.
No fórum Discutindo perguntamos: “Quem tem interesse em transformar as pessoas de diferentes em desiguais?” E, para refletir sobre como os professores lidam com as diferenças em sala de aula, consultamos algumas especialistas em educação inclusiva para falar a respeito.
Se pensarmos que vivemos em um país que tem um dos maiores níveis de desigualdade social do mundo, “nos conscientizamos de que já evidenciamos uma realidade em que o diferente é enfaticamente considerado desigual. Portanto, é mais que necessário que repensemos nossas ações e até que ponto estamos valorizando os diferentes” é o que aconselha Sonia do Nascimento Santos.
Diferentes todos nós somos (e viva a diversidade!); mesmo assim, não deixamos de julgar e ultrapassar a individualidade dos outros. É aí, então, que a diferença passa a ser considerada negativa. Mas, na opinião de muitos, diferenças e semelhanças podem ser trabalhadas desde cedo, seja em casa, seja na escola. “A minha luta é essa. Gostaria que todas as pessoas, independente da cor, raça, sexo, pudessem ser vistas como seres humanos. Acho que temos que trabalhar em sala de aula para que isso se torne realidade. Os profissionais da educação devem estar preparados para dar sua contribuição para o desenvolvimento da humanidade”, diz Dearlinda Mendes de Souza.
E, apesar de as definições de diferente e desigual serem semelhantes no papel, é importante enfatizar as distinções entre elas – o que pouco se vê na prática. Oswaldo Oliveira destaca como boa parte da sociedade lida com diferenças e desigualdades: “ser diferente merece tratamento diferente; e pior, ser desigual significa ser inferior. Um homem é diferente de uma mulher, mas ele não é pior nem melhor – nem ela. Ser desigual significa que existe desnível entre os dois, o que não é verdade. Os alunos são diferentes, merecem atenção diferente, mas não são melhores ou piores uns que os outros”.
Contudo, quem pensa no diferente de maneira preconceituosa? Ao analisar com mais rigor o perfil de nossa sociedade, poderíamos dizer que a maioria de nós pensa e age dessa forma, não apenas a classe dominante (como diria boa parte das pessoas). “Convém salientar que essa classe dominante está muito mais próxima de nós. Acatamos e difundimos uma cultura, um hábito de desvalorizar o que não está em nossos padrões. Nós tornamos desigual a diferença. Nós, enquanto sociedade, desvalorizamos os diferentes; estes, por sua vez, aceitam o papel que lhes é imposto. Não se muda a sociedade sem antes mudar seus indivíduos. Olhemos para trás: nossa herança histórica nos mostra muito do por que sermos tão desiguais”, lembra Evandro Francisco Marques Vargas.
Voltando a falar do papel da escola e colocando-a como uma das maiores influências na construção do ser humano, destacamos o que disse Ivete Silva: “a questão não é transformar os diferentes em desiguais, e sim colocar profissionais preparados para trabalhar. O que nós vemos na escola são crianças que precisam de acompanhamento e não têm. Elas praticamente são deixadas de lado porque não conseguem acompanhar a turma, e esta precisa avançar”.

Aprendendo com as diferenças

Mas como é possível adaptar um ambiente de estudo ao aluno com necessidades especiais e ainda fazer disso um aprendizado para os outros? “Quando um aluno com deficiência convive com outros sem deficiência, os primeiros estimulam que os demais vivenciem novos valores humanos nas relações sociais. Quando uma turma tem alunos com altas habilidades, estes tendem a estimular a curiosidade dos demais. Para que isso ocorra, é preciso que toda a equipe pedagógica esteja atenta para valorizar cada uma das situações de aprendizagem. O que deve ser destacado é o que há de positivo em cada relação interpessoal. Dificuldades sempre existem quando não conhecemos, e educação é processo de construção de conhecimento”, afirma Cristina Delou, psicóloga, professora associada da Faculdade de Educação da UFF e responsável pela área de Educação Especial e Inclusiva da Fundação Cecierj.
Dificuldades todos têm. “Mesmo a criança considerada normal tem dificuldades várias, que devem ser trabalhadas. Além disso, todos têm o que aprender e o que ensinar, e todos ganham com a convivência”, diz a professora e psicóloga Giuseppa Maria Luiza Scrza, diretora da Associação Iluminare, que apoia crianças e adolescentes com dificuldade de aprendizagem e oferece cursos para profissionais interessados em trabalhar com esse público. Assim, o aprender com as diferenças pode se estender para a vida fora da sala de aula. “A diversidade possibilita uma visão mais plural do mundo social. O trabalho deve estar na direção de um convívio saudável em qualquer grupo: o exercício da tolerância, da cooperação, do respeito mútuo e da busca de avanços na aprendizagem”, completa Cibele Fernandes, psicóloga escolar e neuropsicóloga.

Eliminando a discriminação em sala de aula

Nem sempre esse convívio é tão fácil e livre de pré-conceitos. É importante lembrar que “a discriminação dentro da escola existe não só em relação ao estudante com necessidades especiais, mas também em relação a negros, pessoas fora da faixa etária para a série cursada, alunos com dificuldade de aprendizagem e homossexuais, entre outros; todos que não são maioria sofrem discriminação, que, em algumas vezes, é clara e, em outras, disfarçada. Na maioria das vezes, o que conta é simplesmente o fato de serem diferentes da maioria”, diz Adriana Oliveira Bernardes, professora da rede estadual, mestre e doutoranda em Ciências Naturais pela UENF e colaboradora da revista Educação Pública.
E como o educador deve agir em sala de aula? “Ele deve trabalhar a discriminação de maneira geral; como esta discriminação é originada nas diferenças, é necessário mostrar que diferenças são normais nos indivíduos da nossa sociedade”, complementa Adriana
Na opinião de Cristina Delou, “o educador deve dialogar com toda a turma sobre a diversidade humana, a importância de cada pessoa em nossas vidas, o que elas nos ensinam e o que nós podemos ensinar a elas”. Para Cibele, “é preciso partir de si mesmo. Perceber seus preconceitos e dificuldades com o diferente. Pensar, estudar e refletir. Só depois se pode, com a comunidade envolvida no processo educacional daquele grupo, traçar estratégias para a convivência social participativa, responsável e cooperativa”.
Há educadores que defendem a ideia de que o estudante diferente deve ser tratado como igual, “até porque a deficiência traz algumas limitações, mas não impede o indivíduo de viver como qualquer outro. Do ponto de vista de recursos a serem utilizados em sala de aula (como material inclusivo), os professores devem adequá-los para que tanto o aluno que chamamos normal quanto aquele que possui deficiência possa utilizá-lo”. É o que avalia Adriana.
Além disso, vale destacar a singularidade e as necessidades educacionais de cada indivíduo. Por exemplo: “o aluno cego tem especificidades que o aluno vidente não tem. Se a bola da aula de Educação Física não tiver guizo dentro, os alunos cegos não poderão jogar futebol; se a bola for apropriada, todos poderão participar do time”, conta Cristina. Então, “não se trata de igualdade, mas de equidade. Cada um deve ser atendido nas suas necessidades específicas e ser membro de um grupo que tem suas regras de convívio e de trabalho”, conclui Cibele.

O que seria uma escola inclusiva ideal?

Educação ideal é aquela que atende a todos e, numa época em que muito se fala em inclusão, vai se concretizando a educação inclusiva, que entende e trabalha a diversidade dos alunos. É importante falar que “uma escola inclusiva não é aquela que apenas aceita toda diversidade de alunos, mas sim aquela que, recebendo esses alunos, encontra soluções para que eles participem do processo educativo de forma plena, desenvolvendo todo o seu potencial”, explica Adriana.
E o que seria uma escola inclusiva ideal? Para Cibele, “é a que trabalha com a diversidade, tendo clareza de suas limitações e possibilidades reais de trabalho com as diferentes dificuldades na aprendizagem, tanto no que diz respeito à competência profissional como quanto à infraestrutura. Seria fundamental também estudo (grupo de estudos e discussão de casos) e atualização permanente do grupo de profissionais. Há muitos avanços em relação aos conhecimentos sobre os diferentes transtornos que podem prejudicar o processo de aprendizagem e a escolaridade. Os educadores precisam se apropriar desses conhecimentos que outras áreas trazem para a Pedagogia, a fim de não ficar no achismo”.
Pensando na nossa realidade, o que podemos ter como mais próximo do ideal de escola inclusiva? O que temos de fato? Cibele complementa: “ainda estamos no começo de um processo de conhecimento do que é de fato o trabalho pedagógico com as diferenças. Acredito que haja experiências isoladas mais organizadas nesse sentido, porém ainda há pouca troca. Em maio deste ano, o Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro realizou um seminário sobre dificuldades na aprendizagem e no comportamento, com várias palestras e uma publicação. Creio que iniciativas como essa são importantíssimas e  deveriam ser mais frequentes”.

O que é preciso para ser um profissional da educação inclusiva

Relembrando a importância de um profissional bem preparado, Cristina Delou orienta: “o educador deve ser uma pessoa que busca na formação continuada seu crescimento profissional. A partir da autocrítica em relação ao que lhe falta para garantir que todos os alunos tenham acesso aos saberes escolares, o educador precisa buscar, em cursos de capacitação e pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado), a formação necessária para o exercício profissional com alunos especiais. Contudo, os saberes escolares ainda não foram instituídos, porque a sociedade brasileira não é inclusiva como um todo; logo, não possui história e nem cultura de formação de professores voltada para a educação inclusiva. Sozinho, mesmo o educador bem intencionado pode muito pouco. Ele precisa de universidades que pesquisem novas tecnologias e metodologias de ensino e que ofereçam cursos de Libras (para alunos surdos), Braile, sorobã, orientação e mobilidade (para os cegos), Libras tátil e tadoma (para os surdo-cegos), comunicação ampliada e alternativa (para aqueles com deficiência física), programa de enriquecimento escolar e  aceleração de estudos (para os que têm altas habilidades/superdotação), tecnologias da informação e da comunicação, adaptações curriculares, plano individual de ensino, atendimento educacional especializado (para todos) e terminalidade específica (para alunos com deficiências graves e múltiplas), entre outros. Os educadores precisam de gestores educacionais preocupados com essa formação e que apontem as demandas de seus alunos”.

E o que dizer a quem exclui a inclusão?

Ainda encontramos muitos profissionais que não entendem a inclusão como uma necessidade e “ordem natural” da educação. Que conselhos dar a um profissional que ainda exclui a inclusão da sua metodologia de ensino? “Vivemos hoje em um novo paradigma e temos que nos adequar a esses novos ares. O salário não nos permite reciclar, nem mesmo existem ações governamentais que nos incentivem a participar de programas de capacitação. Entretanto, o papel do professor no processo inclusivo é fundamental, e, apesar de não depender apenas dele para que as escolas se tornem inclusivas, o papel que ele exerce é muito importante, principalmente se puder entender a importância de um professor pesquisador dentro da escola e se tornar este profissional, exercendo sua prática a partir da reflexão e de acordo com a realidade da escola”, diz Adriana. Além disso, na opinião de Cristina, é preciso ter “consciência de que a negação de tudo que os alunos especiais precisam expressa a negligência com que eles vêm sendo tratados na escola, contribuindo para o aumento da violência social. Não se faz educação inclusiva sem formação continuada”.

Políticas de inclusão hoje e amanhã

Segundo Cristina, “hoje, as  políticas de inclusão ratificam que a educação é direito humano e que todos devem ter acesso aos níveis mais elevados de ensino, de acordo com as capacidades de cada um. Segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, os alunos sujeitos à inclusão são os alunos com deficiências (intelectual, visual, auditiva, surdo-cegueira, física e múltiplas), transtornos globais do desenvolvimento (casos do espectro do autismo e transtornos psicóticos, entre outros) e altas habilidades/superdotação”.
Para Adriana, “nós não temos escolas realmente inclusivas; as escolas que temos não lidam bem sequer com a dificuldade de aprendizagem de alunos considerados normais, não existe um plano de ação para ele, ele não é uma preocupação para a escola no que concerne a seu aprendizado. O que a escola faz é colocar nele próprio toda a culpa de seu fracasso. Logo, esse aluno também é excluído. A escola inclusiva deve oferecer oportunidades para esse tipo de aluno”. Ela ressalta que a inclusão depende do esforço coletivo de escola, professores, funcionários, alunos e pais de alunos.
Quais são as perspectivas para o futuro próximo da educação inclusiva? “As políticas de inclusão no Brasil são datadas e têm como base a legislação. Elas tiveram início com a Constituição de 1988, que no seu artigo 208 garantiu o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. Depois, vieram a Declaração de Jomtien (1990), a de Salamanca (1994) e a LDB (1996). Desde então, os documentos vêm regulamentando e normatizando as práticas a serem implantadas pelos sistemas de ensino, escolas e formação de professores. Logo, concluo que é um processo de construção de uma nova sociedade. É a possibilidade de, no futuro, o Brasil contar com uma sociedade mais tolerante em relação às diferenças. É a certeza de que as pessoas historicamente excluídas poderão contar com a escola para a construção de sua cidadania”, conclui Cristina.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Perguntas Pertinentes Sobre Psicopedagogia Clinica e Institucional


O QUE É PSICOPEDAGOGIA ?

A psicopedagogia é um campo de atuação em Saúde e Educação que lida com o processo de aprendizagem humana; seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio, da família, da escola e da sociedade no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios. Está pautada numa multiplicidade de áreas de conhecimento objetivando facilitar o processo de aprendizagem não apenas no ambiente escolar, mas em todos os âmbitos: cognitivo, afetivo, social e durante toda vida.



O QUE É PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E INSTITUCIONAL?

É uma área de conhecimento que veio para atuar nas áreas: Institucional (seja em escolas, hospitais e empresas, desenvolvendo um trabalho preventivo, voltado para o grupo em um todo) e Clínica com aprendentes em um atendimento individualizado com um trabalho interventivo.

QUANDO É NECESSÁRIO FAZER UM ATENDIMENTO INDIVIDUALIZADO?

Quando a criança, adolescente  apresenta dificuldades permanentes na escola, distúrbios e transtornos de aprendizagens nas diferentes áreas do conhecimento: leitura, escrita, interpretação e produção textual, matemática e outros.

A PSICOPEDAGOGIA É A MESMA COISA QUE O REFORÇO ESCOLAR?

Não.

A Psicopedagogia - tem no seu contexto, tanto os instrumentos específicos de intervenção, quanto uma responsabilidade muito maior, pois trata-se de uma área especializada para diagnosticar e intervir no processo de aprendizagem, investigando e descobrindo outros caminhos  para a criança, adolescente a  aprender e, com isso facilitando, para que a mesma encontre outras alternativas tornando-se, dessa forma, autônoma na aquisição do conhecimento.  A Psicopedagogia trabalha no resgate de capacidades não desenvolvidas pela criança, adolescente e que as mesmas se apresentam como elos necessários para a aprendizagem atual.

O reforço - Preocupa-se apenas em dar continuidade no sentido de resolucionar as atividades advindas da escola, ou seja, não tem a responsabilidade de trabalhar no resgate de capacidades não desenvolvidas pela criança e adolescente.

COMO OCORREM AS INTERVENÇÕES NO CONTEXTO DA PSICOPEDAGOGIA?

No contexto Institucional
Os trabalhos são realizados numa perspectiva grupal e preventiva, tendo como objetivo a socialização, a interação, e a aprendizagem daquilo que se pretende passar, através de um trabalho dinâmico, interativo e contínuo.

No contexto Clínico
A Psicopedagogia não caminha sozinha em nenhum momento; ela precisa manter de forma contínua uma relação com uma equipe multidisciplinar, ou seja, outros especialistas como psicólogos, fonoaudiólogos, neurologistas, pedagogos, quanto com os educadores em exercício, para que os processos tanto de intervenção quanto escolar andem juntos e por considerar muitas vezes, a existência de outros sintomas que precisam ser diagnosticados por outras áreas.
Junto a tudo isso, trabalha junto às famílias no sentido de orientá-las no ato de lidar com o aprendente e o sua nova forma de aprender.
Tem como método de intervenção, o método clínico, baseado tanto em observações quanto em questionamentos vindos da compreensão da criança, fazendo relação direta com várias outras áreas do conhecimento como a psicologia, a neuropsicologia, pedagogia e a psicanálise, bem como,  com estratégias onde são colocadas em evidência as capacidades da criança, suas potencialidades, suas áreas fortes para que suas áreas fracas (a área das dificuldades) sejam encorajadas e diretamente atingidas, de forma lúdica, prazerosa fazendo a mesma, internalizar a certeza de que é capaz de ultrapassar tais dificuldades considerando que o ato de aprender é uma atitude volitiva, ou seja, precisa partir dela mesma. 


EM QUE CONTEXTO SURGE A PSICOPEDAGOGIA?


Os primórdios da Psicopedagogia historicamente ocorreram na Europa, ainda no século XIX, evidenciada pela preocupação com os problemas de aprendizagem na área médica.
Naquela época achava-se que os comprometimentos na área escolar eram provenientes de causas orgânicas, pois se procurava identificar no físico as determinantes das dificuldades do aprendente, vinculada à ação do médico. O primeiro centro psicopedagógico foi criado em Paris em 1946. Médicos e pedagogos, cooperativamente, faziam um trabalho destinado a crianças com problemas escolares, ou de comportamento que eram definidas como aquelas que apresentavam doenças crônicas como diabetes, tuberculose, cegueira, surdez ou problemas motores.
Com o objetivo de melhorar a relação professor-aluno surge em 1958, no Brasil, o Serviço de Orientação Psicopedagógica da Escola Guatemala, na Guanabara (Escola Experimental do INEP - Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC). A categoria profissional dos Psicopedagogos organizou-se no país com a divulgação da abordagem psico-neurológica do desenvolvimento humano
Sendo assim a Psicopedagogia nasceu da necessidade de uma melhor compreensão do processo de aprendizagem tornando-se uma área de estudo específica que busca conhecimento em outros campos e cria seu próprio objeto de estudo. Ocupa-se do processo de aprendizagem humana: seus padrões de desenvolvimento e a influência do meio nesse processo. É conhecida por atender crianças com dificuldades de aprendizagem, porém é fato que tais dificuldades, distúrbios e patologias podem aparecer em qualquer época da vida sendo também, objeto de estudo do psicopedagogo.

O QUE É PRECISO PARA SER UM PSICOPEDAGOGO?

Estarão em condições de exercício da Psicopedagogia os profissionais graduados em 3º grau, portadores de certificados de curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia, ministrado em estabelecimento de ensino oficial e/ou reconhecido, sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável trabalho de formação pessoal.
A formação do Psicopedagogo, no Brasil, vem ocorrendo em caráter regular e oficial, desde a década de setenta em instituições universitárias. Esta formação foi regulamentada pelo MEC em cursos de pós-graduação e especialização, com carga mínima de 360 horas. Atualmente existem cursos oficiais nos estados: Amazonas, Pará, Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte.
A psicopedagogia está em vias de regulamentação da profissão o que permitirá a normatização da formação e exercício profissional, possibilitando estender o atendimento psicopedagógico à população de baixa renda, através de convênios de assistência médica e sistemas públicos de saúde e educação.

QUANDO É QUE DEVEMOS RECORRER AOS SERVIÇOS DE UM PSICOPEDAGOGO?

A intervenção psicopedagógica tem como objetivo a assistência às pessoas que apresentam dificuldades de aprendizagem, sendo estas, geralmente encaminhadas pelas escolas, com o objetivo de esclarecer as causas de suas dificuldades. Essas dificuldades de aprendizagem podem ser causadas por diversos fatores e cabe ao psicopedagogo descobri-las.
Sendo assim o Psicopedagogo deve ser procurado sempre que se perceber alguma dificuldade ou transtorno de aprendizagem, quando não vai bem no processo de aquisição do conhecimento, tem dificuldades em aprender, tem problemas escolares, é inquieto, desobediente, desinteressado, desatento ou agressivo.
Em geral é percebida quando a Orientadora solicita a presença da família constantemente na escola ou a professora pede ajuda e esse pedido de ajuda está ligado à aprendizagem. Ai então está na hora de procurar um Psicopedagogo.

COMO É O TRABALHO DE UM PSICOPEDAGOGO?  O QUE ELE FAZ? 

O trabalho psicopedagógico pode adquirir caráter preventivo, clínico, terapêutico ou de treinamento, o que amplia a área de atuação, seja ela escolar - orientando professores, realizando diagnósticos, facilitando o processo de aprendizagem, trabalhando as diversas relações humanas que existem nesse espaço; empresarial - realizando
trabalhos de treinamento de pessoal e melhorando as relações interpessoais na empresa; clínica - esclarecendo e atenuando problemas; ou hospitalar - atuando junto à equipe multidisciplinar no pós-operatório de cirurgias ou tratamentos que afetem a aprendizagem.
Nosso objeto de estudo é o ser que apreende da realidade e constrói o seu conhecimento aprendendo. Portanto para nós a aprendizagem é um processo de construção que se dá na interação permanente do sujeito com o meio que o cerca. Estudamos as características dessa aprendizagem: como se aprende, como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e preveni-las.
Na Instituição o nosso trabalho é preventivo para evitar o aparecimento de problemas de aprendizagem, transformando a atenção individual em grupal, mobilizando o grupo e resgatando, ressignificando o sujeito e o outro (grupo), analisando os sintomas, considerando as relações que existem na instituição. Está mais voltada para a prevenção dos insucessos relacionais e de aprendizagem, se bem que muitas vezes, devemos considerar a prática terapêutica nas organizações como necessária.
Sendo assim, a Psicopedagogia na instituição e para a instituição não se ocupa exclusivamente de um indivíduo e suas particularidades. Ocupa-se sim do funcionamento geral, do processo e dos resultados do aprender em seu interior e do modo como tudo isto pode estar contribuindo para o aparecimento de dificuldades e/ou facilidades de aprendizagem, isto é, sem desvincular-se da concretude de sua origem, de sua história. O enfoque deixa de ser individual para se tornar social e amplia o âmbito da ação, podendo agir com a instituição, ou com grupos que dela fazem parte, sem perder de vista a relação com o todo.
Já em Psicopedagogia Clínica fazemos um trabalho individual e terapêutico, tendo como missão retirar as pessoas da sua condição inadequada de aprendizagem, dotando-as de sentimentos de alta auto-estima e fazendo-as perceber suas potencialidades, recuperando desta forma, seus processos internos de apreensão de uma realidade, nos aspectos: cognitivo, afetivo-emocional e de conteúdos acadêmicos. O atendimento diferenciado pode ir além das questões-problema vinculadas à aprendizagem podendo trazer à tona, mais facilmente, as razões que desencadeiam as necessidades individuais - às vezes alheias ao fator escola, que fazem com que as pessoas sintam-se excluídas, ou excluam-se a si mesmas do sistema educacional.
Desta forma o psicopedagogo contribui significativamente com todos os envolvidos no processo de aprendizagem, pois exerce seu trabalho de forma multidisciplinar numa visão sistêmica, onde todos deverão ter seu “olhar” e sua “escuta” para o sujeito da aprendizagem.
O olhar do psicopedagogo, além de lúcido deve ser esclarecedor, sem julgamentos ou depreciações. Diante de um olhar assim, a aceitação flui naturalmente. E esta aceitação é a condição primeira, a mais necessária para que se inicie o caminho de cura, aliando a teoria à prática.
Concluindo, entre outras coisas, a Psicopedagogia pode levar o sujeito com dificuldades de aprendizagem a descobrir um novo espaço, um novo jeito de se relacionar com sua
modalidade de aprendizagem, levando-o ao desejo de aprender e conseqüentemente favorecendo o seu processo de aprendizagem.



QUAL A RELEVÂNCIA DO TRABALHO DE UM PSICOPEDAGOGO?

É importante ressaltar a psicopedagogia como uma ciência nova que muito tem contribuído para explicar a causa das dificuldades de aprendizagem, pois tem como objetivo central de estudo o processo humano do conhecimento: seus padrões evolutivos normais e patologias bem como a influência (família, escola, sociedade) no seu desenvolvimento (Scoz, 1992; Kiquel, 1991)
A psicopedagogia, por contar com a contribuição de várias áreas do conhecimento, Psicologia, Sociologia, Antropologia, e outros, assume o papel de desmistificadora do fracasso escolar, entendendo o erro apresentado pelo indivíduo no processo de construção do seu conhecimento (Piaget), a as interações (Vygotsky), como fator importante no desenvolvimento das habilidades cognitivas. Sendo assim o psicopedagogo assume papel relevante na abordagem e solução dos problemas de aprendizagem. Não lida diretamente com o problema, lida com as pessoas envolvidas. Lida com o aprendente, com os familiares e com os professores, levando em conta aspectos sociais, culturais, econômicos e psicológicos.
Percebo que a Psicopedagogia também tem papel importante na inserção e manutenção dos alunos com necessidades educativas especiais, comumente chamada inclusão. Entendo que colocar o aluno com necessidades educativas especiais em sala de aula e não criar estratégias para a sua permanência e sucesso escolar inviabiliza todo o movimento nas escolas. Faz-se premente a necessidade de um acompanhamento e estimulação destes alunos para que as suas aprendizagens sejam efetivas.
O trabalho do psicopedagogo é terapêutico centrado na aprendizagem, mas levando-se em consideração o aprendente como um todo, seu meio e suas relações. Cabendo a ele em primeiro lugar, estabelecer um vínculo positivo com o aprendiz, a fim de proporcionar o resgate do prazer de aprender.



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O PIQUENIQUE DAS TARTARUGAS.



O PIQUENIQUE DAS TARTARUGAS.


Uma família de tartarugas decidiu sair para um piquenique.

As tartarugas, sendo naturalmente lentas, levaram sete anos preparando-se para o passeio. Passados seis meses, após acharem o lugar ideal, ao desembalarem a cesta de piquenique descobriram que estavam sem sal. Então, designaram a tartaruga mais nova para voltar em casa e pegar o sal, por ser a mais rápida.

A pequena tartaruga lamentou, chorou e esperneou. Porém concordou em ir, mas com uma condição:

Que ninguém comeria até que ela retornasse.

Seis anos se passaram e a pequenina não havia retornado.

Ao sétimo ano de sua ausência, a tartaruga mais velha já não suportando mais a fome, decidiu desembalar um sanduíche. Nesta exata hora, a pequena tartaruga saiu de trás de uma árvore e gritou:

- Viu!!!! Eu sabia que vocês não iam me esperar. Agora que eu não vou mesmo buscar o sal!!!

Reflexão:

- Que paralelo podemos estabelecer entre a a lentidão das tartarugas e a dificuldade de aprendizagem dos alunos ou de ensinagem dos professores?

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