domingo, 30 de dezembro de 2012

Desenvolvimento cerebral, epilepsia e dificuldade de aprendizagem. Pesquisa aponta novidades acerca do amadurecimento dos circuitos neurais de crianças




Estudo confirma ligação genética uma forma de epilepsia associada a alucinações sensoriais, especialmente auditivas com uma interrupção no desenvolvimento cerebral durante a infância. O trabalho, coordenado por pesquisadores do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), nos Estados Unidos, e publicado no site da revista Nature, apontou também novidades acerca do amadurecimento dos circuitos neurais de crianças. Os cientistas usaram no estudo camundongos modificados geneticamente e técnicas de análise de tecido cerebral por eletrofisiologia. Eles observaram que uma forma mutante do gene LGI1 estava prejudicando o desenvolvimento neural saudável. “No nascimento, o cérebro está carregado com sinapses que ajudam a ‘ligar’ os neurônios. Entretanto, se essas sinapses em excesso não forem adequadamente ‘podadas’, podem crescer demais, levando à transmissão excessiva de sinais excitatórios e ao desenvolvimento de condições patológicas, incluindo dificuldades de aprendizagem, autismo e epilepsia”, observa Matthew Anderson, do Departamento de Neurologia e Patologia do BIDMC, um dos responsáveis pelo estudo.

O artigo Arrested maturation of excitatory synapses in autosomal dominant lateral temporal lobe epilepsy pode ser lido na íntegra por assinantes da Nature em www.nature.com. 

Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/desenvolvimento_cerebral_epilepsia_e_dificuldade_de_aprendizagem.html (07/10/2012)

sábado, 15 de dezembro de 2012

'Quem precisa de escola em tempo integral no Brasil é professor, não aluno'


 Guiomar Nano de Mello (abril/2001)


'Quem precisa de escola em tempo integral no Brasil é professor, não aluno' 



Diretora da Escola Brasileira de Professores, que se dedica à educação inicial e continuada de docentes do ensino básico, Guiomar Namo de Mello está, é claro, preocupada com a formação dos mestres no Brasil. Contudo, ela não engrossa o coro daqueles que acreditam que a saída para o problema está em oferecer melhores salários. “Se você me perguntasse se o professor ganha mal, eu diria que sim. Mas para o que alguns fazem, é muito”, diz. Para a especialista, mais do que maiores vencimentos, os docentes precisam de melhor formação: saídos de escolas públicas ruins, apenas espalham seu desconhecimento aos alunos. “A formação do professor é uma questão estruturante. Sem ela, nenhuma melhora é possível”, sentencia Guiomar. Aperfeiçoar a formação dos docentes e coordenar as ações de estados e municípios que quiserem promover reformas na área - ambas tarefas do governo federal - serão desafios do presidente que o país elegerá neste ano. Confirma a seguir os principais trechos da entrevista com a educadora.

A senhora costuma afirmar que, até o início dos anos 90, a educação não fazia parte da agenda estratégia dos governos. Hoje, ela já está entre as prioridades?

Os setores mais bem informados da sociedade se deram conta de que a educação é urgente em termos de desenvolvimento sustentável. Por isso, acredito que haja uma pressão maior por parte da população. No entanto, a educação vem sempre carregada de visões imediatistas e às vezes extremamente pessoais dos governantes. Na política, a educação está facilmente sujeita a uma certa pirotecnia, ou seja, os governos e os políticos em geral querem sempre faturar mais com o menor custo possível. E, assim, faltam foco e prioridade. Faltam medidas que se dirijam a questões estruturantes da educação.

Quais são essas questões?

A qualidade da formação do professor, por exemplo, é uma questão estruturante. Sem ela, nenhuma melhoria é possível. E há pouca disponibilidade para atacar esse problema. É preciso mudar completamente os sistema de formação de professores, que ficou refém de um ensino superior. Mas não há disposição de se investir política e financeiramente para atrair os melhores para a carreira de professor.

O que fazer para formar um bom professor?

É preciso enfrentar os cursos de pedagogia, mas não vejo nenhum político se referindo a isso. Também temos que formar o professor em tempo integral, porque eles estão saindo do ensino médio analfabetos e chegam ao ensino superior para reproduzir a sua ignorância. Depois, vão para a escola pública e repetem o círculo vicioso da ignorância. Então, quem precisa de escola em tempo integral no Brasil é professor, não aluno. Nosso professor sai da escola pública: depois de uma formação deficitária no ensino superior particular, onde ele pode dar aula? No ensino público, de onde saiu. E ainda tem quem diga que é ele o culpado pela má qualidade do ensino. Ele não é culpado, mas apenas uma peça dessa engrenagem. Para enfrentar esse problema é preciso vontade política e recursos financeiros para investir na formação do professor. Se estivéssemos dispostos a fazer isso, poderíamos ter um ensino de qualidade.

No Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2008, apenas 2,7% dos cursos de pedagogia alcançaram a nota máxima, igual a 5. O que precisa mudar no currículo dessas instituições?

Precisamos de um currículo onde o futuro professor não estude só a teoria. Ele precisa conhecer a prática desde o primeiro dia, como os médicos. O modelo de formação clínica é o melhor modelo para o professor. Ele não precisa estudar os recônditos da pedagogia. Ele precisa aprender como se ensina e como o aluno aprende. O professor é um artesão, ele não é um grande criador. Da mesma forma que o médico não é um criador. Ele tem que ser um excelente aplicador de conhecimento. A sala de aula é o foco e a referência do trabalho dele.

O currículo escolar praticado hoje é outra questão estruturante?

Sim. Hoje temos um ensino enciclopédico e precisamos acabar com essa crença. Precisamos saber para que finalidade queremos educar os jovens. Temos que educá-los para sobreviver em um mundo cada vez mais complicado, em que a informação está disponível para todos. Para isso, você precisa desenvolver competências que são básicas: saber falar, pensar, usar a linguagem, aplicar o conhecimento adquirido para entender o mundo ao seu redor. É preciso um ensino mais relevante. Ou a gente atende a esses desafios ou não melhoramos o ensino.

Muitos especialistas apontam que o salário do professor é um empecilho para o avanço da educação no Brasil. Como a senhora enxerga essa questão?

A remuneração é um fator a ser revisto. O salário precisa melhorar, mas só isso não resolve o problema. O aumento do salário tem que ser uma decorrência do aumento da responsabilidade do professor e do mérito. Se você me perguntasse se o professor ganha mal, eu diria que sim. Mas para o que alguns professores fazem, é muito. E para o que outros fazem, é pouquíssimo. Para corrigir isso, precisamos de mecanismos para diferenciar um do outro. O que não pode é aumentar o salário de todos.

A meritocracia é uma saída para isso?

A ainda que seja uma única medida, ela é interessante e pode fazer a diferença em São Paulo, onde foi aplicada. Porque se o professor quiser progredir só pelo tempo de trabalho - como normalmente ocorre - o salário dele aumenta em um determinado ritmo. Mas se ele quiser fazer um concurso sobre o conteúdo que ele ensina, ele pode ter um aumento substancial e buscar um atalho na carreira. Ele começa a ganhar mais antes do tempo previsto. Acredito que são esses os mecanismos que atraem os profissionais. Porém, é preciso lembrar que na educação não existe uma única saída. A solução tem que mexer em diferentes fatores. Sozinha a meritocracia não resolve muito. Por mais que incentive o professor, se ele não sabe como ensinar, ele precisa aprender.

Qual o maior desafio na área da educação que o próximo presidente, a ser eleito neste ano, deverá enfrentar?

A questão do professor talvez seja o abacaxi mais complicado para descascar, em todos esses aspectos. O presidente da República manda no ensino superior. E é no ensino superior que está o problema do professor. Não adianta desconversar. A questão da formação do professor é responsabilidade do Ministério da Educação – seja no ensino superior público federal ou nas faculdade e universidades particulares, que são autorizadas e supervisionadas pelo governo. Portanto não dá para se esquivar. Também precisamos lembrar que o governo federal não é o gestor do ensino básico no Brasil. Gestores são estados e municípios. Cabe ao governo federal liderar e coordenar políticas para estados e municípios que queiram promover reformas. E para isso é preciso haver um grande pacto federativo da educação. O presidente eleito precisa usar o respaldo que ganhará nas urnas para chamar estados e municípios e equacionar os problemas mais estruturantes da educação. É importante estabelecer um pacto federativo.


http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/quem-precisa-de-escola-em-tempo-integral-no-brasil-e-professor-nao-aluno

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

DEPAC x Dificuldades de Aprendizagem


Aluno distraído, dificuldades para entender, audição normal? Pode ser DEPAC x Dificuldades de Aprendizagem




Aluno distraído, dificuldades para entender, audição normal? Pode ser DEPAC x Dificuldades de Aprendizagem


Se um aluno que apresenta um dificuldades de entender, não apresenta participatividade em sala de aula, quando questionado ou chamado atenção aparenta não ter ouvido, mas apresenta um exame de audição normal, é preciso ficar mais atento com este aluno, pois ele pode ter uma “DISFUNÇÃO DO PROCESSAMENTO AUDITVO CENTRAL – DEPAC”.




Alguns alunos com esse comportamento, que resultando em dificuldades de aprendizagem, preocupam os professores. Os pais pensam ter um filho que não tem vontade de aprender, desinteressado e preguiçoso, desde que nenhum exame detectou uma falha na audição.



O DEPAC, uma disfunção do processamento auditivo, consiste numa dificuldade em lidar com as informações que chegam pela audição. O indivíduo detecta os sons normalmente, que pode ser avaliado pela audiometria tonal liminar, no entanto, há dificuldades em atribuir significado ao conjunto de sons detectados. Essa medida das habilidades auditivas na análise e interpretação dos sons é realizada por avaliações auditivas comportamentais, e o DEPAC indica a dificuldade em analisar e/ou interpretar sons.


Como os pais e os professores podem ajudar?




- Fale pausadamente, articulando bem;

-Fale alto, mas não grite;

-Fale uma coisa de cada vez;

-Repita uma ordem, várias vezes;

-Use frases curtas;

-Quando a criança fizer uma pergunta, sempre dê uma resposta;

Adicione informações á fala da criança, para que ela possa aprender novas palavras;

-No início diminua os barulhos da casa (desligar o rádio e televisão) ou da sala de aula (pedir silêncio), quando estiver falando com as crianças;

-Antes de começar a falar , chame a criança pelo nome, olhe ou toque a criança e garanta que ela esteja a olhar par si;

-É importante ter um tempo para a criança, diariamente, pelo menos 15 minutos, para contar histórias, cantar músicas, descrever as atividades do dia-a-dia;


-Procure não rotular a criança de desinteressada, preguiçosa, desinteressada e tagarela,..., mas sim compreender que a criança com DEPAC cansa mais facilmente que as outras , de prestar a devida atenção, perde pistas acústicas do sinal da fala e como isto deixa de entender o que lhe está ensinando, o mais importante: a criança que tem DEPAC não tem problema cognitivo ou emocional, para aprender, apenas perdeu a informação que foi dada via sentido de audição.







DPAC (Distúrbio do Processamento Auditivo Central X TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM






Para conseguirmos ouvir necessitamos da integridade de todas as estruturas do no sistema auditivo. As estruturas envolvidas no processo da audição são didaticamente divididas em três grupos, o ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno


1- O ouvido externo é composto pelo pavilhão auricular e o canal auditivo


2- O ouvido médio é formado pela membrana timpânica e, a cadeia ossicular ( martelo, bigorna e estribo)


3- O ouvido interno é composto pela cóclea e os canais semicirculares.


Como ouvimos os sons? O pavilhão auricular é responsável por captar os sons provenientes do ambiente, que são conduzidos pelo canal auditivo até chegar à membrana timpânica. O tímpano recebe então esta vibração vinda das ondas sonoras e, a transmite aos ossículos, movendo o martelo que faz vibrar a bigorna e por sua vez vibra o estribo. O estribo está anatomicamente ligado à cóclea pela janela oval (pequeno orifício), que lhe transmite o sinal elétrico. A cóclea está conectada ao nervo vestíbulo-coclear, VIII par craniano, que envia a este o impulso nervoso. O impulso nervoso é conduzido ao centro de audição do córtex cerebral, que é responsável por interpretar estes sinais nervosos.


O que é Processamento Auditivo Central (PAC)? “Processamento auditivo se refere aos processos envolvidos na detecção, na análise e na interpretação de eventos sonoros. Estes processos acontecem no sistema auditivo periférico e no sistema auditivo central. É desenvolvido nos primeiros anos de vida, portanto é a partir da experienciação do mundo sonoro que aprendemos a ouvir.” É o processo de decodificação das ondas sonoras desde a orelha externa até o córtex cerebral, ou seja, a capacidade de analisar, associar e interpretar as informações sonoras que nos chegam pelo sentido da audição. Quais são as habilidades auditivas centrais testadas? Como ainda não conseguimos identificar com detalhes como o sistema auditivo realiza o processamento auditivo, identificamos algumas habilidades que devem ser testadas:

Atenção seletiva: é a capacidade de selecionar estímulos, é avaliado através de estímulos verbais de escrita dicótica.

Detecção do som: é a capacidade de perceber, identificar a presença de um som, é avaliado através de audiometria, discriminação vocal, timpanometria e pesquisa de reflexo.

Sensação sonora: é quando um estímulo é recebido pelo sentido da audição, é quando o indivíduo tem a sensação se o som é alto ou baixo, forte ou fraco, longo ou curto.

Discriminação: é o processo de detectar diferenças entre os estímulos sonoros.

Localização: é saber local da origem do som, é avaliado através da localização sonora em cinco direções.

Reconhecimento: requer aprendizado, é avaliado através de logoaudiometria pediátrica, para o reconhecimento de frases na presença de mensagem.

Compreensão: dar significado ao som escutado. Memória: arquivar informações e recuperá-las quando houver necessidade, é avaliado através de memória seqüencial para sons verbais (pa, ta, Ca) e não verbais (guizo, coco, sino, agogô).


DPAC X TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM


O que é um distúrbio do processamento Auditivo Central (DPAC)? “É uma falha no desenvolvimento das habilidades perceptivas auditivas”; mesmo com audição normal, é totalmente diferente de perda auditiva. Em geral encontra-se associado a dificuldades de aprendizagem. Crianças portadoras de distúrbio de aprendizagem tem dificuldades em vários aspectos do processamento auditivo linguístico e apresentam falhas cognitivas .É possível que comprometimentos linguísticos ou cognitivos possam ser resultantes de problemas perceptuais.

Sintomas do Distúrbio do processamento Central Auditivo (DPAC):


- Apresenta dificuldade em manter atenção aos sons;

- Dificuldade em escutar em ambientes ruidosos;

- Dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita;

- Dificuldade em compreender o que lê;

- Necessidade de ser chamado várias vezes ("parece" não escutar);

- Não entende o que foi dito;

- Solicita com frequência a repetição das informações: Ah? O quê? Pode repetir?

- Dificuldade em entender expressões com duplo sentido ou piadas ou ideias abstratas;

- Dificuldade ao dar um recado ou contar uma história;

- Problemas de memória para nomes, datas, números...

- Dificuldade em acompanhar uma conversa, aula ou palestra com outras pessoas falando ao mesmo tempo;

- Problemas de fala (troca /L/R/S/E/CH/), principalmente os sons /R/ e /L; - Alterações de pronúncia;

-Dificuldade em localizar a origem dos sons.

 - Dificuldades com o significado das palavras;

- Inversões de letras;

 - Dificuldade em associar letras do alfabeto com seus respectivos sons;

 - Rendimento escolar Inferior em leitura, gramática, ortografia, matemática;

- Dificuldade em aprender uma língua estrangeira;

                                                    O que pode causar o DPAC?


- Genética, um grande número de casos é hereditário, pais e filhos apresentam características semelhantes;

- Otites frequentes durante os 3 (três) primeiros anos de vida (Processos alérgicos respiratórios, tais como sinusites, rinites e até mesmo refluxo gastro-faríngeo estão comumente associados);

 - Permanência em UTI - Neonatal por mais de 48 horas; - Experiências auditivas insuficientes durante a 1ª infância. Os sintomas comportamentais de crianças encaminhadas para a avaliação do PAC:


- Crianças com alteração de comportamento, de atenção e dificuldades auditivas não orgânicas. - Crianças com suspeita de distúrbio de aprendizagem, cuja queixa é apresentada pelos pais ou professores. - Crianças encaminhadas por apresentarem distúrbio de comportamento social.